terça-feira, 6 de março de 2018

O Estranho Caso do Plágio do Diogo Piçarra


Não sou, nem de perto nem de longe, um apreciador da música do Diogo Piçarra mas esta polémica acerca do suposto plágio dele da “famosa” música do “famosissimo” Padre Walter é uma clara injustiça e aquilo que em bom português se chama de uma valente treta.
         É inegável, ao compararmos as duas músicas, a incrível semelhança entre elas. Poder-se-ia dizer que se trata da mesma música com letras diferentes. Impõem-se, no entanto, as seguintes questões:
1)   Alguém acredita honestamente que o Diogo Piçarra soubesse sequer da existência de um artista chamado Padre Walter?
2)   Com tanta música boa para plagiar ele iria plagiar uma música tão medíocre como esta?
3)   Ele corresse um risco tão despropositado como este numa competição tão escrutinada como o Festival da Canção e numa altura em que se fala tanto da questão por causa da recente polémica com o Tony Carreira?
Eu, pessoalmente, não concebo tamanho erro por parte de um artista com a notoriedade do Diogo Piçarra e com a poderosa máquina que o sustenta em termos de produção. O que se trata aqui, na minha opinião, é de apenas uma infeliz coincidência passível de acontecer com qualquer artista quando se trata de uma música tão simplista em termos melódicos e com arranjos tão minimalistas. Temos de ter em conta a enorme quantidade de músicas feitas em todo o mundo e durante todos estes anos, pelo que não é de todo difícil repetir melodias sem querer.
Quando se fala de plágio é preciso ter-se em conta a questão contextual. Como disse antes, custa-me acreditar que o Diogo Piçarra soubesse sequer da existência do Padre Walter. Agora, atentemos antes ao seguinte exemplo: The Cure com a música “Just Like Heaven” e os Rádio Macau com a música “O Anzol”. Aqui podemos falar naturalmente de plágio. Quando os Rádio Macau escreveram “O Anzol” de certeza que já tinham ouvido o tema dos The Cure. Ainda para mais é notória a influência dos The Cure no som dos Rádio Macau. Esta é a questão contextual a que me referia. Isto é o que se pode verdadeiramente chamar um plágio. As músicas não são iguais mas a progressão melódica, o ritmo, a ambiência tornam indiscutível a semelhança entre as duas músicas. No caso do Diogo Piçarra, existindo alguma intencionalidade, nem poderíamos chamar aquilo de plágio mas sim de cópia.

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