Não sou, nem de perto nem de longe, um
apreciador da música do Diogo Piçarra mas esta polémica acerca do suposto
plágio dele da “famosa” música do “famosissimo” Padre Walter é uma clara
injustiça e aquilo que em bom português se chama de uma valente treta.
É
inegável, ao compararmos as duas músicas, a incrível semelhança entre elas.
Poder-se-ia dizer que se trata da mesma música com letras diferentes.
Impõem-se, no entanto, as seguintes questões:
1) Alguém
acredita honestamente que o Diogo Piçarra soubesse sequer da existência de um
artista chamado Padre Walter?
2) Com tanta
música boa para plagiar ele iria plagiar uma música tão medíocre como esta?
3) Ele corresse
um risco tão despropositado como este numa competição tão escrutinada como o
Festival da Canção e numa altura em que se fala tanto da questão por causa da
recente polémica com o Tony Carreira?
Eu,
pessoalmente, não concebo tamanho erro por parte de um artista com a
notoriedade do Diogo Piçarra e com a poderosa máquina que o sustenta em termos
de produção. O que se trata aqui, na minha opinião, é de apenas uma infeliz
coincidência passível de acontecer com qualquer artista quando se trata de uma
música tão simplista em termos melódicos e com arranjos tão minimalistas. Temos
de ter em conta a enorme quantidade de músicas feitas em todo o mundo e durante
todos estes anos, pelo que não é de todo difícil repetir melodias sem querer.
Quando se fala
de plágio é preciso ter-se em conta a questão contextual. Como disse antes,
custa-me acreditar que o Diogo Piçarra soubesse sequer da existência do Padre
Walter. Agora, atentemos antes ao seguinte exemplo: The Cure com a música “Just
Like Heaven” e os Rádio Macau com a música “O Anzol”. Aqui podemos falar
naturalmente de plágio. Quando os Rádio Macau escreveram “O Anzol” de certeza
que já tinham ouvido o tema dos The Cure. Ainda para mais é notória a
influência dos The Cure no som dos Rádio Macau. Esta é a questão contextual a
que me referia. Isto é o que se pode verdadeiramente chamar um plágio. As
músicas não são iguais mas a progressão melódica, o ritmo, a ambiência tornam
indiscutível a semelhança entre as duas músicas. No caso do Diogo Piçarra,
existindo alguma intencionalidade, nem poderíamos chamar aquilo de plágio mas
sim de cópia.